cada toque e cada gesto, os aromas tão sutis
num estalar de dedos, tornam-se telas de aquarela
enfileiradas por uma parede de um corredor sem fim
transpirando lembranças por entre suas rachaduras
“nunca mais escreverei um poema triste”
molham-se as quebradiças e secas palavras
esfarelam por entre os dedos de um tolo
súbita e nada gentil, a ameaça de uma partida
cravada onde outrora fora o berço de uma declaração
mais clara do que antes, mais obscura do que nunca
pegajosa trama de fios de lã, tece uma cama de lágrimas
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